A ciência sempre desvenda o complexo e agora nos alerta sobre o óbvio.
Por Luís Antônio Brum Silveira | 19 de Dezembro de 2025
Estamos encerrando 2025 e, com isso, o primeiro quarto do século XXI. Esse marco sinaliza mais do que uma mudança de calendário. Ele explicita o início de um ciclo em que limites ambientais, dilemas éticos e riscos sistêmicos deixam de ser abstrações e passam a condicionar decisões econômicas e estratégicas.
A ciência vem alertando sobre esse cenário há décadas. Não se trata de narrativa ideológica ou tendência de mercado, mas de conhecimento acumulado e validado. A boa notícia é que ainda há espaço para decisão consciente, desde que haja disposição para reconhecer os limites do sistema no qual operamos.
Em entrevista ao programa Provoca, da TV Cultura (out/2025), o físico e astrônomo Marcelo Gleiser desloca o debate para um ponto essencial: o lugar da humanidade no universo. Ele fala como cientista, não como ativista ou consultor. E isso impõe objetividade ao diagnóstico.
Quando afirma que “a Terra não precisa da gente; nós é que precisamos dela”, Gleiser resume uma verdade elementar. O planeta continuará existindo. A humanidade, não necessariamente. Nossa sobrevivência depende de um sistema ambiental estável, funcional e finito, sensível a desequilíbrios acumulados ao longo do tempo.
Apesar disso, seguimos agindo, como indivíduos, organizações e sociedade, como se estivéssemos fora desse sistema. Decisões de curto prazo, exploração predatória e consumo excessivo ainda são tratados como externalidades. Simples, não é? E exatamente por isso, sistematicamente ignorado.
Daí uma conclusão direta: responsabilidade não é terceirizável. Sustentabilidade não se limita a empresas ou governos. O futuro coletivo resulta da soma de decisões individuais e institucionais. Portanto, não basta exigir ESG das organizações. É necessário praticá-lo como valor, sob pena de esvaziar o discurso.
Nesse contexto, o ESG precisa ser reposicionado. O “E” de Environmental não pode ser reduzido a métricas, relatórios ou gestão de reputação. A ciência é clara: nós somos a parte vulnerável da equação ambiental. Reconhecer isso é uma decisão estratégica e ética, não simbólica.
Para conselhos, executivos e lideranças responsáveis por decisões de longo prazo, a pergunta é objetiva: estamos realmente ouvindo a ciência ou apenas selecionando dados que confirmam decisões já tomadas? Essa escolha define a qualidade da governança e a resiliência futura das organizações.
A ciência já explicou fenômenos de altíssima complexidade. Agora, nos lembra algo básico e inadiável: degradar o planeta é comprometer a nós mesmos. Ignorar esse fato é assumir riscos que já não podem ser tratados como externos.
Portanto, a questão final permanece: sua organização e você, como líder, está preparado para atuar com consciência neste segundo quarto do século XXI?
Agora mãos à obra.
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